Aéreas gastam R$ 3,8 bi a mais do que o previsto com QAV desde o início da guerra
O aumento do querosene de aviação (QAV) desde o início da guerra no Oriente Médio, há cem dias, já levou as empresas aéreas brasileiras a gastar R$3,8 bilhões a mais com combustível do que o previsto antes do conflito. O cálculo foi apresentado na terça-feira (09/06) pelo presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), Juliano Noman, em audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara dos Deputados. O QAV chegou a dobrar de preço, mas com o corte de 14,2% no último dia 1o. de junho, o reajuste acumulado está em 71%.
“Somente o valor gasto a mais em maio, cerca de R$1,6 bilhão, representa, por exemplo, o custo do arrendamento de 830 aviões. Para se ter uma ideia, hoje nós temos em torno de 500 aviões voando no Brasil. O que pagamos a mais de combustível no mês passado já é mais da metade do que a gente gasta com o leasing da frota atual. É exorbitante”, disse Noman, reforçando que a situação poderia ser ainda pior se o governo não tivesse agido com medidas para atenuar o impacto do aumento do QAV, como a isenção da alíquota do PIS/Cofins sobre o combustível e a liberação de crédito para as companhias aéreas.
Malha aérea para junho
Na mesma audiência, o gerente de acompanhamento de mercado da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Luiz Fernando de Abreu Pimenta, disse que, por causa do preço do QAV, há expectativa de queda de 4,4% do número de voos previstos para junho em relação ao que estava programado antes do início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro. Entretanto, nenhum aeroporto que recebia voos anteriormente deixou de ser atendido.
Além dos custos mais altos impostos pela guerra, a coordenadora-geral de aeroportos concedidos e serviços aéreos do Ministério de Portos e Aeroportos, Priscilla Thabata, disse que a indústria da aviação vai ser afetada pela reforma tributária com aumento de 20% nos seus custos. O aumento do IOF em operações internacionais, o imposto de renda sobre o leasing de aviões – que era de 0% até 2022 e passará para 15% em 2027 – e o imposto seletivo sobre as aeronaves, que ainda está sendo discutido, trarão um custo adicional de R$ 1,2 bilhão ao ano.